Sebastião Nery-Obama sabia


17/08/2012
Sebastião Nery
Obama sabia

RIO – Diante do corpo morto de Juscelino Kubitschek, levado ao túmulo do Cemitério da Esperança, em Brasília, como uma rosa de protesto, nas mãos exaltadas de uma imensa multidão, na tarde de 22 de agosto de 1976 (faz 36 anos na próxima quarta-feira), veio-me de repente a idéia de que ali se confirmava a definição do romano Cícero :
– “A historia é a luz da verdade” (“Historia lux veritatis”).
Durante meses o País só falou dele. De Vargas a JK, vi o Brasil chorar os seus grandes heróis naquele quarto de século. E para nenhum, nem mesmo Getúlio, foi tão unânime o coro das referências, dos aplausos, da definitiva consagração histórica. A verdade da Historia se escreve assim.

JUSCELINO

No dia seguinte, os jornais estavam grávidos de adjetivos:
1- “Tolerante, conciliador, democrático, incapaz de promover perseguições, e chegou a conceder anistia aos militares que se rebelaram duas vezes em seu governo – foi assim que políticos de todas as tendências, inclusive ministros, lembraram a figura do ex-presidente.” (O Estadão).
2- “A qualidade mestra de JK era a tolerância, a compreensão, o respeito à inteligência. Que a sua morte sirva para restabelecer essas virtudes no Brasil.” (Carlos Lacerda).
3. “Ele soube exprimir as grandes aspirações nacionais. Foi ele que transformou o desenvolvimento econômico na grande aspiração nacional.” (Severo Gomes)
4. – “Que país é este em que um homem do porte de JK morre sem ter o direito de servir a seu povo e a seu país? Sua morte me causa dois sentimentos profundos: a tristeza e o desejo de liberdade. Que o governo se inspire nela para fazer o que deve: dar a anistia ao pais.” (Sobral Pinto).

A HISTORIA

5.- “Exerceu o governo com o Congresso funcionando normalmente
e os tribunais intocáveis.” (Paulo Brossard).
6.- “JK ainda poderia prestar, em vários campos, os melhores serviços ao Brasil.” (Cordeiro de Farias).
7.”Ele foi o homem a quem mais deve o Brasil, pois iniciou e concluiu as obras mais importantes do país moderno.” (Odílio Dennys) Carlos Castelo Branco, que escreveu as melhores coisas sobre o sentido de sua herança política e nosso dever diante do amanhã, contou a angústia de sua última pergunta:
– “Será que morrerei sem ser de novo a minha terra livre?”
Morreu. A resposta o País deu. Porque a História ninguém cassa.

LULA

É um sacrilégio lembrar de Lula pensando em Juscelino. Mas foi de Lula que lembrei ao pensar nesse 22 de agosto que há 36 anos nos levou Juscelino. Lula, o medíocre, tem a insana audácia de se comparar a JK.
Durante cinco anos Lula tentou fazer o povo brasileiro esquecer o crime do Mensalão. Primeiro, cinicamente fingiu, até chorou, que estava indignado. Depois, disse que não sabia de nada mas pediu perdão ao povo brasileiro em nome dele e do PT. E passou a dizer que o Mensalão não houve, foi uma invenção da oposição e da imprensa para derrubá-lo.
Mas bastou uma semana de começo do julgamento do Mensalão para a verdade aparecer incontida nas manchetes dos jornais e nas TVs:
– “Não só Lula sabia como ordenou o Mensalão” (Globo).
– “Lula não só sabia como ordenou o Mensalão” (Folha de S. Paulo).

O CARA

Agora ficou claro o que o presidente Obama quis dizer quando apontou para Lula e surpreendeu o mundo com aquela estranha frase:
– “Esse é o cara”.
Obama quis dizer : – Esse é o chefe do Mensalão. Esse é o “chefe da quadrilha”. Esse é o cara que criou a “quadrilha”, a “organização criminosa” articulada por José Dirceu, denunciada pelos dois Procuradores Gerais da Republica e processada pelo Supremo Tribunal do Brasil.
Obama não falou por acaso, não falou à toa. Obama sabia.

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Sebastião Nery-Um baiano na Sicilia


13/08/2012
Sebastião Nery
Um baiano na Sicilia

RIO – E chegou a Roma, em 1990, Jorge Amado, com Zélia Gattai e a filha Paloma, para receber na Sicilia o “Premio Mediterraneo”, matriz da civilização européia. Fez um debate no “Centro de Estudos Brasileiros” da embaixada, na monumental Piazza Navona. Com eles fomos para Palermo, capital da Sicilia, o ministro-conselheiro Arnaldo Godoy Cravo, a diretora do nosso “Centro de Estudos Brasileiros”, na embaixada, a bela Maria Lucia Verdi, e eu, baiano e adido cultural.

A Sicilia fez-lhe uma festa baiana. Na entrega do premio, no Centro de Cultura Mediterranea, o cardeal Salvatore Papalardo, o governador da Província, o presidente do Parlamento, escritores, professores. E leitores.

JORGE AMADO

Na Faculdade de Línguas e Literatura de Palermo, Jorge Amado debateu horas com estudantes. Queriam saber sobretudo como o Brasil conseguiu misturar suas raças, quando a Europa mergulhava em um perigoso conflito com os imigrantes. Jorge Amado explicou:

– “A Constituição soviética é modelar contra qualquer discriminação social. No entanto, 70 anos depois, as varias nacionalidades ainda se devoram. Por que? Porque racismo só acaba na cama, com mistura racial e amor. Quando o primeiro portugues amou a primeira índia e a primeira negra, começava no Brasil o mistério da língua e da Nação”.

À noite, na casa de Geangaspare Ferro, italiano, e Hilda Ferro, carioca, comendo uma feijoada feita por uma baiana casada com um siciliano, estavam casais que se conheceram porque o leram, descobriram o Brasil nos livros dele, encontraram-se, casaram e agradeciam a Jorge. E deram aos filhos os lindos nomes dos personagens de Jorge.

SICILIA

Depois, fomos perambular pela Sicilia. O grego Homero a chamou “1lha do Sol”. Mas quem melhor a definiu foi Goethe, o alemão:

-“Sem ver a Sicília, não se faz idéia da Itália. É a chave de tudo.”

O siciliano Tuci Lombardo, ministro da Cultura, disse-nos:

– A Sicília é também a Máfia, mas não é só. (“Anche la Máfia, ma non solo”). Nenhum outro lugar do mundo com tanta historia, em tão pouco espaço. O grande patrimônio da Sicília são seus bens culturais. Temos o mundo fenício, o grego, o romano, o bizantino, o árabe, o normando, o espanhol, o francês, o barroco, o germânico. Todo o Ocidente.

FENICIA

Os brasileiros sempre tivemos uma idéia nebulosa da Sicília: uma ilha na ponta da bota da Itália, a terra da Máfia, uma província italiana. Pois a Sicília não é filha da Itália. É avó. Não veio do Império Romano, é anterior. A civilização grega, antes de chegar a Roma, já estava na Sicília. Grecia e Roma são mães da Europa, a Sicilia é a avó. Quando os gregos chegaram lá, entre o 7º e 8º séculos antes de Cristo, e fundaram Taormina, Siracusa, Catânia, Agrigento, Selinunte, a leste e ao sul da ilha, já no outro lado, ao norte e a oeste, estavam os fenícios desde o século 10º antes de Cristo, vindos da Síria: semitas inventores do alfabeto que os gregos aperfeiçoaram, comerciantes criadores do dinheiro.

Os fenícios,já instalados no norte da África, sobretudo em Cartago, chegaram à Sicília e criaram sua primeira cidade, Panormo (hoje Palermo, a capital), onde começou a civilização do Mediterrâneo, a matriz fenícia e grega da Europa. Amílcar, Aníbal, generais de Catargo, enfrentaram os guerreiros gregos Timoleão e Agatocle e as invenções de Arquimedes.

Só no século 3º AC, em 264, Roma chegou à Sicília com Pirro, para ajudar os gregos na luta contra os fenícios, na primeira Guerra Púnica. Roma derrotou Cartago, expulsou os gregos e ficou na ilha.

100 ANOS

Foi em Palermo, capital da Sicília, mais velha do que Roma, onde se criou a primeira Universidade do mundo, e, no ano 1130 se instalou o primeiro Parlamento do mundo, que Jorge Amado recebeu o “Prêmio Mediterrâneo Internacional”, um dos mais importantes da Europa.

Numa festa bem italiana, descontraída, simpática, comandada pelo editor Penzo Mazzone, pelo presidente do Centro de Cultura Mediterrânea Mario Sansone, saudado por Alberto Bevilacqua como um dos mais importantes escritores do mundo, Jorge Amado fez um discurso dizendo que não nasceu para ser importante e na sua literatura queria ser apenas a voz e o desenhista da alma do povo brasileiro, seus sonhos, vida e lutas.

O saudoso Jorge fez 100 anos. Também quis dizer-lhe meu adeus.

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BRASIL CARINHOSO-Martha de Freitas Azevedo Pannunzio


 

BRASIL  CARINHOSO

Bom dia, dona Dilma!

Eu também assisti ao seu pronunciamento risonho e maternal na véspera do Dia das Mães.

Como cidadã da classe média, mãe, avó e bisavó, pagadora de impostos escorchantes

descontados na fonte no meu contracheque de professora aposentada da rede pública

mineira e em cada Nota Fiscal Avulsa de Produtora Rural, fiquei preocupada com o anúncio

do BRASIL CARINHOSO.

Brincando de mamãe Noel, dona Dilma? Em ano de eleição municipalista? Faça-me o favor,

senhora presidentA!  É preciso que o Brasil crie um mecanismo bastante severo de controle

dos impulsos eleitoreiros dos seus executivos (presidente da república, governador e prefeito)

para que as matracas de fazer voto sejam banidas da História do Brasil.

Setenta reais per capita para as famílias miseráveis que têm filhos entre 0 a 06 anos foi um

gesto bastante generoso que vai estimular o convívio familiar destas pessoas, porque elas irão,

com certeza, reunir sob o mesmo teto o maior número de dependentes para “engordar”

sua renda. Por outro lado mulheres e homens miseráveis irão correndo para a cama

produzir filhos de cinco em cinco anos. Este é, sem dúvida, um plano qüinqüenal engenhoso

de estímulo à vagabundagem, claramente expresso nas diversas bolsas-esmola do governo do PT.

É muito fácil dar bom dia com chapéu alheio. É muito fácil fazer gracinha, jogar para a platéia.

É fácil e é um sintoma evidente de que se trabalha (que se governa, no seu caso) irresponsavelmente.

Não falo pelos outros, dona Dilma. Falo por mim. Não votei na senhora. Sou bastante madura,

bastante politizada, marxista, sobrevivente da ditadura militar e radicalmente nacionalista.

Eu jamais votei nem votarei num petista, simplesmente porque a cartilha doutrinária do

PT é raivosa e burra. E o governo é paternalista, provedor, pragmático no mau sentido, e delirante.

Vocês são adeptos do “quanto pior, melhor”. São discricionários, praticantes do “bullying”

mais indecente da História do Brasil.

Em 1988 a Assembléia Nacional Constituinte, numa queda-de-braço espetacular,

legou ao Brasil uma Carta Magna bastante democrática e moderna. No seu Art. 5º está

escrito que todos são iguais perante a lei*.  Aí, quando o PT foi ao paraíso, ele completou

esta disposição, enfiando goela abaixo das camadas sociais pagadoras de imposto seu

modus governandi a partir do qual todos são iguais perante a lei, menos os que são

diferentes: os beneficiários das cotas e das bolsas-esmola. A partir de vocês. Sr. Luís

Inácio e dona Dilma, negro é negro, pobre é pobre e miserável é miserável. E a Constituição

que vá para a pqp. Vocês selecionaram estes brasileiros e brasileiras, colocaram-nos no tronco,

como eu faço com o meu gado, e os marcaram com ferro quente, para não deixar dúvida

de que são mal-nascidos. Não fizeram propriamente uma exclusão, mas fizeram, com certeza,

publicamente, uma apartação étnica e social. E o PROUNI se transformou num balcão

de empréstimo pró escolas superiores particulares de qualidade bem duvidosa, convalidadas

pelo Ministério de Educação. Faculdades capengas, que estavam na UTI financeira e deveriam

ter sido fechadas a bem da moralidade, da ética e da saúde intelectual, empresarial, cultural

e política do País. A Câmara Federal endoidou?  O Senado endoidou? O STJ endoidou?

O ex-presidente e a atual presidentA endoidaram? Na década de 60 e 70 a gente lutou por uma

escola de qualidade, laica, gratuita e democrática. A senhora disse que estava lá, nesta trincheira,

se esqueceu disto, dona Dilma?  Oi, por favor, alguém pare o trem que eu quero descer!

Uma escola pública decente, realista, sintonizada com um País empreendedor, com uma

grade curricular objetiva, com professores bem remunerados, bem preparados, orgulhosos da

carreira, felizes, é disto que o Brasil precisa. Para ontem.  De ensino técnico, profissionalizante.

Para ontem. Nossa grade curricular é tão superficial e supérflua, que o aluno chega ao final do

ensino médio incapaz de conjugar um verbo, incapaz de localizar a oração principal de

um período composto por coordenação. Não sabe tabuada. Não sabe regra de três. Não sabe

calcular juros.  Não sabe o nome dos Estados nem de suas capitais. Em casa não sabe consertar

o ferro de passar roupa. Não é capaz de fritar um ovo. O estudante e a estudantA  brasileiros

só servem para prestar vestibular, para mais nada. E tomar bomba, o que é mais triste.

Nossos meninos e jovens lêem (quando lêem), mas não compreendem o que leram.  Estamos

na rabeira do mundo, dona Dilma. Acorde! Digo isto com conhecimento de causa porque

domino o assunto. Fui a vida toda professora regente da escola pública mineira, por opção

política e ideológica, apesar da humilhação a que Minas submete seus professores. A educação

de Minas é uma vergonha, a senhora é mineira (é?), sabe disto tanto quanto eu. Meu contracheque

confirma o que estou informando.

Seu presente para as mães miseráveis seria muito mais aplaudido se anunciasse apenas

duas decisões: um programa nacional de planejamento familiar a partir do seu exemplo,

como mãe de uma única filha, e uma escola de um turno só, de doze horas. Não sabe como

fazer isto? Eu ajudo. Releia Josué de Castro, A GEOGRAFIA DA FOME. Releia Anísio Teixeira.

Releia tudo de Darcy Ribeiro. Revisite os governos gaúcho e fluminense de seu meio-conterrâneo

e companheiro de PDT, Leonel Brizola. Convide o senador Cristovam Buarque para um café-amigo,

mesmo que a Casa Civil torça o nariz. Ele tem o mapa da mina.

A senhora se lembra dos CIEPs? É disto que o Brasil precisa. De escola em tempo integral,

igual para as crianças e adolescentes de todas as camadas, miseráveis ou milionárias. Escola com

quatro refeições diárias, escova de dente e banho. E aulas objetivas, evidentemente.  Com biblioteca,

auditório e natação. Com um jardim bem cuidado, sombreado, prazeroso. Com uma baita horta,

para aprendizado dos alunos e abastecimento da cantina. Escola adequada para os de zero a seis,

para estudantes de ensino fundamental e para os de ensino médio, em instalações individuais

para um máximo de quinhentos alunos por prédio. Escola no bairro, virando a esquina de casa.

De zero a dezessete anos. Dê um pulinho na Finlândia, dona Dilma. No aerolula  dá pra chegar

num piscar de olhos. Vá até lá ver como se gerencia a educação pública com responsabilidade

e resultado. Enquanto os finlandeses amam a escola, os brasileiros a depredam. Lá eles

permanecem. Aqui a evasão é exorbitante. Educação custa caro? Depende do ponto de

vista de quem analisa. Só que educação não é despesa. É investimento. E tem que ser

feita por qualquer gestor minimamente sério e minimamente inteligente. Povo educado ganha

mais, consome mais, come mais corretamente, adoece menos e recolhe mais imposto para as

burras dos  governos. Vale à pena investir mais em educação do que em caridade,

pelo menos assim penso eu, materialista convicta.

Antes que eu me esqueça e para ser bem clara: planejamento familiar não tem nada a ver

com controle de natalidade. Aliás, é a única medida capaz de evitar a legalização do controle

de natalidade, que é uma medida indesejável, apesar de alguns países precisarem recorrer a ela.

Uberlândia, inspirada na lei de Cascavel, Paraná, aprovou, em novembro de 1992, a lei do

planejamento familiar. Nossa cidade foi a segunda do Brasil a tomar esta iniciativa, antecipando-se

ao SUS. Eu, vereadora à época, fui a autora da mesma e declaro isto sem nenhuma vaidade,

apenas para a senhora saber com quem está falando.

Senhora PresidentA, mesmo não tendo votado na senhora, torço pelo sucesso do seu governo

como mulher e como cidadã. Mas a maior torcida é para que não lhe falte discernimento,

saúde nem coragem para empunhar o chicote e bater forte, se for preciso. A primeira chibatada é o

seu veto a este Código Florestal, que ainda está muito ruim, precisado de muito amadurecimento

e aprendizado. O planeta terra é muito mais importante do que o lucro do agronegócio e

a histeria da reforma agrária fajuta que vocês estão promovendo.  Sou  fazendeira e ao

mesmo tempo educadora ambiental. Exatamente por isto não perco a sensatez.  Deixe

o Congresso pensar um pouco mais, afinal, pensar não dói e eles estão em Brasília,

bem instalados e bem remunerados, para isto mesmo. E acautele-se durante o processo

eleitoral que se aproxima. Pega mal quando um político usa a máquina para beneficiar

seu partido e sua base aliada. Outros usaram? E daí? A senhora não é “os outros”.

A senhora á a senhora, eleita pelo povo brasileiro para ser a presidentA do Brasil,

e não a presidentA de um partidinho de aluguel, qualquer.

Se conselho fosse bom a gente não dava, vendia. Sei disto, é claro. Assim mesmo

vou aconselhá-la a pedir desculpas às outras mães excluídas do seu presente:

as mães da classe média baixa, da classe média média, da classe média alta, e da

classe dominante, sabe por quê? Porque somos nós, com marido ou sem marido, que,

junto com os homens produtivos, geradores de empregos, pagadores de impostos,

sustentamos a carruagem milionária e a corte perdulária do seu governo tendencioso,

refém do PT e da base aliada oportunista e voraz.

A senhora, confinada no seu palácio, conhece ao vivo os beneficiários da Bolsa-família?

Os muitos que eu conheço se recusam a aceitar qualquer trabalho de carteira assinada,

por medo de perder o benefício. Estou firmemente convencida de que este novo programa,

BRASIL CARINHOSO, além de não solucionar o problema de ninguém, ainda tem

o condão de produzir uma casta inoperante, parasita social, sem qualificação profissional,

que não levará nosso País a lugar nenhum. E, o que é mais grave, com o excesso de

propaganda institucional feita incessantemente pelo governo petista na última

década, o Brasil está na mira dos desempregados do mundo inteiro, a maioria qualificada,

que entrarão por todas as portas e ocuparão todos os empregos disponíveis,

se contentando até mesmo com a informalidade. E aí os brasileiros e brasileiras vão

ficar chupando prego, entregues ao deus-dará, na ociosidade que os levará à delinqüência e às drogas.

Quem cala, consente. Eu não me calo. Aos setenta e quatro anos, o que eu mais queria

era poder envelhecer despreocupada, apesar da pancadaria de 1964. Isto não está sendo

possível. Apesar de ter lutado a vida toda para criar meus cinco filhos, de ter educado milhares

de alunos na rede pública, o País que eu vou legar aos meus descendentes ainda está

na estaca zero, com uma legislação que deu a todos a obrigação de votar e o direito

de votar e ser  votado, mas gostou da sacanagem de manter a maioria silenciosa no ostracismo social,

desprecisada  e desinteressada de enfrentar o desafio de lutar por um lugar ao sol, de ganhar o

pão com o suor do seu rosto. Sem dignidade, mas com um título de eleitor na mão,

pronto para depositar um voto na urna, a favor do político paizão/mãezona que lhe

dá alguma coisa. Dar o peixe, ao invés de ensinar a pescar, esta foi a escolha de vocês.

A senhora não pediu minha opinião, mas vai mandar a fatura para eu pagar. Vai.

Tomou esta decisão sem me consultar. Num país com taxa de crescimento industrial

abaixo de zero, eu, agropecuarista, burro-de-carga  brasileiro, me dou o direito de

pensar em voz alta e o dever de me colocar publicamente contra este cafuné na

cabeça dos miseráveis. Vocês não chegaram ao poder agora. Já faz nove anos, pense bem!

Torraram uma grana preta com o FOME ZERO, o bolsa-escola, o bolsa-família, o vale-gás,

as ONGs fajutas e outras esmolas que tais. Esta sangria nos cofres públicos não

salvou ninguém? Não refrescou niente?  Gostaria que a senhora me mandasse

o mapeamento do Brasil miserável e uma cópia dos estudos feitos para avaliar o quantitativo

de miseráveis apurado pelo Palácio do Planalto antes do anúncio do BRASIL CARINHOSO.

Quero fazer uma continha de multiplicar e outra de dividir, só para saber qual a

parte que me toca nesta chamada de capital.  Democracia é isto, minha cara. Transparência.

Não ofende. Não dói.

Ah, antes que eu me esqueça, a palavra certa é PRESIDENTE.

Não sou impertinente nem desrespeitosa, sou apenas professora de latim, francês e português.

Por favor, corrija esta informação.

Se eu mandar esta correspondência pelo correio, talvez ela pare na Casa Civil ou nas

mãos de algum assessor censor e a senhora nunca saberá que desagradou alguém

em algum lugar. Então vai pela internet. Com pessoas públicas a gente fala publicamente

para que alguém, ciente, discorde ou concorde. O contraditório é muito saudável.

Não gostei e desaprovo o BRASIL CARINHOSO. Até o nome me incomoda. R$2,00 (dois reais)

por dia para cada familiar de quem tem em casa uma criança de zero a seis anos,

é uma esmolinha bem insignificante, bem insultuosa, não é não, dona Dilma?

Carinho de presidentA da república do Brasil neste momento, no meu conceito, é uma

campanha institucional a favor da vasectomia e da laqueadura em quem já

produziu dois filhos. É mais creche institucional e laica. Mais escola pública e laica em

tempo integral com quatro refeições diárias. É professor dentro da sala de aula,

do laboratório, competente e bem remunerado. É ensino profissionalizante e

gente capacitada para o mercado de trabalho.

Eu podia vociferar contra os descalabros do poder público, fazer da corrupção

escandalosa o meu assunto para esta catilinária. Mas não. Prefiro me ocupar de algo

mais grave, muitíssimo mais grave, que é um desvio de conduta de líderes políticos

desonestos, chamado populismo, utilizado para destruir a dignidade da massa ignara.

Aliciar as classes sociais menos favorecidas é indecente e profundamente desonesto.

Eles são ingênuos, pobres de espírito, analfabetos, excluídos? Os miseráveis são.

Mas votam, como qualquer cidadão produtivo, pagador de impostos. Esta é a jogada. Suja.

A televisão mostra ininterruptamente imagens de desespero social. Neste momento

em todos os países, pobres, emergentes ou ricos, a população luta, grita, protesta,

mata, morre, reivindicando oportunidade de trabalho. Enquanto isto, aqui no País das

Maravilhas, a presidente risonha e ricamente produzida anuncia um programa de

estímulo à vagabundagem. Estamos na contramão da História, dona Dilma!

Pode ter certeza de que a senhora conseguiu agredir a inteligência da minoria de brasileiros

e brasileiras que mourejam dia após dia para sustentar a máquina extraviada do governo petista.

Último lembrete: a pobreza é uma conseqüência da esmola. Corta a esmola que a pobreza acaba,

como dois mais dois são quatro.

Não me leve a mal por este protesto público. Tenho obrigação de protestar, sabe por quê?

Porque, de cada delírio seu, quem paga a conta sou eu.

Atenciosamente,

Martha de Freitas Azevedo Pannunzio

Fazenda Água Limpa, Uberlândia, em 16-05-2012

marthapannunzio@hotmail.com CPF nº 394172806-78

*CONSTITUIÇÃO FEDERAL

TÍTULO II Dos Direitos e Garantias Fundamentais CAPÍTULO I DOS DIREITOS E DEVERES INDIVIDUAIS E COLETIVOS

Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza,

garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade

do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:

I – homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos termos desta Constituição

v

COMO CONTROLAR O ESTRESSE…


 

COMO CONTROLAR O ESTRESSE…

Em uma conferência, ao explicar para a plateia a forma de controlar o estresse, o palestrante levantou um copo com água e perguntou:
-“Qual o peso deste copo d’água? ”
As respostas variaram de 250g a 700g. e O palestrante, então, disse:
– “O peso real não importa. Isso depende de por quanto tempo você segurar o copo levantado. Se o copo for mantido levantado durante um minuto, isso não é um problema. Se eu o mantenho levantado por uma hora, vou acabar com dor no braço. Mas se eu ficar segurando um dia inteiro, provavelmente eu vou ter cãibras dolorosas e vocês terão de chamar uma ambulância. E isso acontece também com o estresse e a forma como o estresse controlamos. Se você carrega a sua carga por longos períodos, ou o tempo todo, cedo ou tarde a carga vai começar a ficar incrivelmente pesada e, finalmente, você não será mais capaz de carregá-la.
Para que o copo de água não fique pesado demais, você precisa colocá-lo sobre alguma coisa de vez em quando e descansar antes de pegá-lo novamente. Com nossa carga acontece o mesmo. Quando estamos refrescados e descansados, nós podemos novamente transportar nossa carga.
Em seguida, ele distribuiu um folheto contendo algumas formas de administrar as cargas da vida:
* Aceite que há dias em que você é o pombo e outros em que você é a estátua.
* Mantenha sempre suas palavras leves e doces, pois pode acontecer de você precisar engolir todas elas.
* Dirija com cuidado. Não só os carros apresentam defeitos e têm recall do fabricante.
* Se você emprestar R$ 200,00 para alguém e nunca mais vir essa pessoa, provavelmente valeu a pena pagar esse preço para se livrar dela.
* Pode ser que o único propósito da sua vida seja servir de exemplo para os outros.
* Nunca compre nada que você não possa manter.
* Quando você tenta pular obstáculos, lembre-se que está com os dois pés no ar e sem nenhum apoio.
* Ninguém se importa se você consegue dançar bem. Para participar e se divertir no baile, levante e dance, pronto.
* Uma vez que a minhoca madrugadora é a que é devorada pelo pássaro, durma até mais tarde sempre que puder.
* Lembre que é o segundo rato que come o queijo – o primeiro fica preso na ratoeira. Saiba esperar.
* Quando tudo parece estar vindo na sua direção, provavelmente você está no lado errado da estrada.
* Aniversários são bons para você. Quanto mais você tem, mais tempo você vive.
* Alguns erros são divertidos demais para serem cometidos só uma vez.
* Podemos aprender muito com uma caixa de lápis de cor. Alguns têm pontas aguçadas, alguns têm formas bonitas e alguns são sem graça. Alguns têm nomes estranhos e todos são de cores diferentes, mas todos são lápis e precisam viver na mesma caixa.
* Não perca tempo odiando alguém, remoendo ofensas e pensando em vingança. Enquanto você faz isso a pessoa está vivendo bem feliz e você é quem se sente mal e tem o gosto amargo na boca.
* Quanto mais alta é a montanha, mais difícil é a escalada. Poucos conseguem chegar ao topo, mas são eles que admiram a paisagem do alto e fazem as fotos que você admira dizendo “queria ter estado lá”.
* Uma pessoa realmente feliz é aquela que segue devagar pela estrada da vida, desfrutando o cenário, parando nos pontos mais interessantes e descobrindo atalhos para lugares maravilhosos que poucos conhecem.


Portanto, antes de voltar para casa, deposite sua carga de trabalho no chão.

Não a carregue para casa.

Você pode voltar a pegá-la amanhã.

Com tranquilidade.

Unir-se é um Bom Começo… Saber Cultivar a União é uma Conquista… Trabalhar em Conjunto é uma VITÓRIA !

 

NÃO SOU ……


NÃO SOU NEGRO, NEM ÍNDIO, NEM VIADO, NEM ASSALTANTE, NEM GUERRILLHEIRO, NEM INVASOR.

Como Faço??

Sou Branco, honesto, contribuinte, eleitor, hetero…Para quê???

Ives Gandra da Silva Martins*

Hoje, tenho eu a impressão de que o “cidadão comum e branco” é agressivamente discriminado pelas autoridades e pela legislação infraconstitucional, a favor de outros cidadãos, desde que sejam índios, afrodescendentes, homossexuais ou se autodeclarem pertencentes a minorias submetidas a possíveis preconceitos. Assim é que, se um branco, um índio e um afrodescendente tiverem a mesma nota em um vestibular, pouco acima da linha de corte para ingresso nas Universidades e as vagas forem limitadas, o branco será excluído, de imediato, a favor de um deles! Em igualdade de condições, o branco é um cidadão inferior e deve ser discriminado, apesar da Lei Maior. Os índios, que, pela Constituição (art. 231), só deveriam ter direito às terras que ocupassem em 5 de outubro de 1988, por lei infraconstitucional passaram a ter direito a terras que ocuparam no passado. Menos de meio milhão de índios brasileiros – não contando os argentinos, bolivianos, paraguaios, uruguaios que pretendem ser beneficiados também – passaram a ser donos de 15% do território nacional, enquanto os outros 185 milhões de habitantes dispõem apenas de 85% dele.. Nessa exegese equivocada da Lei Suprema, todos os brasileiros não-índios foram discriminados. Aos ‘quilombolas’, que deveriam ser apenas os descendentes dos participantes de quilombos, e não os afrodescendentes, em geral, que vivem em torno daquelas antigas comunidades, tem sido destinada, também, parcela de território consideravelmente maior do que a Constituição permite (art. 68 ADCT), em clara discriminação ao cidadão que não se enquadra nesse conceito. Os homossexuais obtiveram do Presidente Lula e da Ministra Dilma Roussefo direito de ter um congresso financiado por dinheiro público, para realçar as suas tendências – algo que um cidadão comum jamais conseguiria! Os invasores de terras, que violentam, diariamente, a Constituição, vão passar a ter aposentadoria, num reconhecimento explícito de que o governo considera, mais que legítima, meritória a conduta consistente em agredir o direito. Trata-se de clara discriminação em relação ao cidadão comum, desempregado, que não tem esse ‘privilégio’, porque cumpre a lei. Desertores, assaltantes de bancos e assassinos, que, no passado, participaram da guerrilha, garantem a seus descendentes polpudas indenizações, pagas pelos contribuintes brasileiros. Está, hoje, em torno de 4 bilhões de reais o que é retirado dos pagadores de tributos para ‘ressarcir’ aqueles que resolveram pegar em armas contra o governo militar ou se disseram perseguidos. E são tantas as discriminações, que é de perguntar: de que vale o inciso IV do art. 3º da Lei Suprema? Como modesto advogado, cidadão comum e branco, sinto-me discriminado e cada vez com menos espaço, nesta terra de castas e privilégios.
( *Ives Gandra da Silva Martins é renomado professor emérito das universidades Mackenzie e UNIFMU e da Escola de Comando e Estado do Exército e presidente do Conselho de Estudos Jurídicos da Federação do Comércio do Estado de São Paulo ).
Para os que desconhecem este é o : Inciso IV do art. 3° da CF a que se refere o Dr. Ives Granda, em sua íntegra: “promover o bem de todos, sem preconceito de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.” Assim, volta a ser atual, ou melhor nunca deixou de ser atual, a constatação do grande Rui Barbosa: “De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto”. (Senado Federal, RJ. Obras Completas, Rui Barbosa. v. 41, t. 3, 1914, p. 86)

LEDA NAGLE: ME ENGANA QUE EU GOSTO…


LEDA NAGLE: ME ENGANA QUE EU GOSTO…
Me engana que eu gosto……….. tem toda e absoluta razão!!!!!!!!!!!!!

Vamos analisar direito, pensar bem e tal como Leda Nagle, ver como está errado esta resolução que tomaram. Por trás disto tem algo mais em favor deles, qual, ainda não percebí.

Leda Nagle escreve:
Me engana que eu gosto

Rio – Qual é a embalagem do açúcar que você compra? Saco plástico. Onde vem o sal que você compra? Em saco plástico. E a farinha de trigo, de mandioca, o fubá, o feijão, o arroz nosso de cada dia? Todos embalados em sacos plásticos. Onde é que você coloca as frutas e os legumes que você compra no supermercado? Em sacos plásticos. Onde vem os remédios que você compra nas farmácias? Em sacolas plásticas. E, por acaso, esta profusão de sacos plásticos que fazem parte do seu dia a dia não poluem o ambiente? Não destroem o planeta? O único saco plástico que polui é a sacola plástica que você recebe dos supermercados?
Aquelas mesmo que você recicla colocando seu lixo de casa. Aquelas que, se for civilizado, você usa para apanhar e descartar as “cacas” do seu cachorro. Aquelas mesmo que as grandes redes de supermercado querem parar de fornecer a você na hora das compras.
E o que eles dizem? Que elas são as responsáveis pela poluição do nosso planeta. Por que só elas? Só o plástico com que elas são feitas poluem rios, destroem as matas, tornam nosso mundo menos habitável? Mas porque só elas? Quem disse? As grandes redes de supermercado. E quem ganha com isto? O planeta? Me engana que eu gosto. Além dos fabricantes de rolos de sacos de lixo, que também são feitos de plástico, quem mais ganha com a proibição das sacolas de plástico são as grandes redes de supermercado que, a partir de agora, em cidades como São Paulo e Belo Horizonte, por exemplo, não terão mais despesa alguma com o consumidor. Depois que ele pagar — e muito bem — os produtos que comprar o problema de levar os produtos para casa passa a ser só do consumidor.
Como você vai levar seus produtos para sua casa? Problema seu. Até porque não são eles que vão entrar nos ônibus cheios, nos trens lotados, no metrô entupido, nas barcas sobrecarregadas, levando uma caixa de papelão. Uma mala sem alça. E ainda querem convencer você, pessoa de boa fé, que está ajudando na reconstrução do planeta. Não é meigo? Não. Acho cínico.
E a parte deles? Bom, eles vendem a você sacolas retornáveis. E sabe o que acontece dentro delas? Se você não limpá-las, adequadamente, lavando com água e sabão, bactérias e fungos crescem dentro delas. Sabia também que o correto seria usar uma sacola para carnes, outra para vegetais e outra para produtos de limpeza? Sabia que elas não podem ser feitas de produto muito resistente, com muitas tramas? Porque as bactérias se entranham nos tecidos mais fortes com mais facilidade. E então? Mais tranquilos? Vai dar trabalho, ficará mais caro e você ainda acha mesmo que vai ajudar a salvar o planeta?

Adeus, solidão


Adeus, solidão

Por que grande parte das pessoas maduras vive sozinha?

PorIlana Ramos

Acorda com o despertador pela manhã, prepara café para um e sai. À noite, de volta pra casa, esquenta um prato de comida e vê TV na sala até a hora de dormir, quando se acomoda no centro da cama e apaga a luz. Pode parecer um pouco solitário, mas segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IGBE), essa é a rotina de quase três milhões de brasileiros com mais de 60 que moram sozinhos. E, de acordo com uma pesquisa publicada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), as mulheres com mais de 60 anos de idade representam 75% dos que optaram por viver sozinhos.

Uma das conquistas que os seres humanos mais prezam é a independência. Segundo a gerontóloga e especialista em Gerontologia Social pela Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG) e diretora da Faculdade Aberta para a Terceira Idade Costa Braga, Cristina Fogaça, “a opção de pessoas com mais de 60 anos de idade por morarem sozinhas vem, primeiro, pela própria questão da independência. Eles querem morar com parentes como última opção. A essa idade, após a separação ou viuvez, ela já criou seu ritmo, tem suas manias, sua rotina. Voltar a dividir o mesmo teto é muito difícil”.

E será a depressão a grande companheira da solidão? De acordo com informações do Ministério da Saúde (MS), cerca de 10% dos idosos sofrem com a doença. “A depressão é consequência de outros fatores e não está relacionada ao fato de a pessoa morar sozinha. A depressão é consequência de todo um processo, dos relacionamentos desenvolvidos durante a vida. No entanto, como a pessoa vai encarar o fato de estar sozinha – e, não, solitária – depende exclusivamente dela. O fato de escolher ter a independência e morar só, independente da idade, não está nada relacionado à depressão”, garante Cristina.

Uma questão de ponto de vista. É assim que a especialista define a solidão na maturidade. “Você pode morar com mais cinco pessoas em casa e estar só do mesmo jeito. A solidão depende muito do olhar que a pessoa tem sobre o que é estar só. Pessoas que moram sozinhas podem não estar sós, mas muito bem consigo mesmas. Não é o número de pessoas à sua volta que determina se você está só ou não. Eu diria que o que mais determina a solidão é o temperamento da pessoa. Se ela está bem consigo mesma, entende seu propósito de vida, que não precisa viver competindo com os outros, estará bem. Não que ela se baste, todos precisam relacionar-se com alguém, mas vive bem dentro de si”, descreve Cristina.

Alguém que optou por morar só, não escolheu o isolamento da sociedade. Ele precisa de uma forte rede de relacionamentos. Segundo a gerontóloga “ter uma vida social é importante para todo mundo. O ser humano não foi feito para viver sozinho, mas para viver em comunidade. Isso significa que ele precisa, sim, manter contato com os filhos e parentes, fazer cursos, trabalhar, namorar, estudar. Participar de grupos é uma excelente ideia. Há troca de ideias, de experiências, além da construção e fortalecimento de amizades. Os amigos são uma parte muito importante da vida de todos, inclusive de pessoas idosas. Durante a vida, as obrigações com trabalho e família acabam afastando as pessoas das amizades, mas é bom sempre lutar para conservá-las, independente do que aconteça no caminho”.