Adeus, solidão


Adeus, solidão

Por que grande parte das pessoas maduras vive sozinha?

PorIlana Ramos

Acorda com o despertador pela manhã, prepara café para um e sai. À noite, de volta pra casa, esquenta um prato de comida e vê TV na sala até a hora de dormir, quando se acomoda no centro da cama e apaga a luz. Pode parecer um pouco solitário, mas segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IGBE), essa é a rotina de quase três milhões de brasileiros com mais de 60 que moram sozinhos. E, de acordo com uma pesquisa publicada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), as mulheres com mais de 60 anos de idade representam 75% dos que optaram por viver sozinhos.

Uma das conquistas que os seres humanos mais prezam é a independência. Segundo a gerontóloga e especialista em Gerontologia Social pela Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG) e diretora da Faculdade Aberta para a Terceira Idade Costa Braga, Cristina Fogaça, “a opção de pessoas com mais de 60 anos de idade por morarem sozinhas vem, primeiro, pela própria questão da independência. Eles querem morar com parentes como última opção. A essa idade, após a separação ou viuvez, ela já criou seu ritmo, tem suas manias, sua rotina. Voltar a dividir o mesmo teto é muito difícil”.

E será a depressão a grande companheira da solidão? De acordo com informações do Ministério da Saúde (MS), cerca de 10% dos idosos sofrem com a doença. “A depressão é consequência de outros fatores e não está relacionada ao fato de a pessoa morar sozinha. A depressão é consequência de todo um processo, dos relacionamentos desenvolvidos durante a vida. No entanto, como a pessoa vai encarar o fato de estar sozinha – e, não, solitária – depende exclusivamente dela. O fato de escolher ter a independência e morar só, independente da idade, não está nada relacionado à depressão”, garante Cristina.

Uma questão de ponto de vista. É assim que a especialista define a solidão na maturidade. “Você pode morar com mais cinco pessoas em casa e estar só do mesmo jeito. A solidão depende muito do olhar que a pessoa tem sobre o que é estar só. Pessoas que moram sozinhas podem não estar sós, mas muito bem consigo mesmas. Não é o número de pessoas à sua volta que determina se você está só ou não. Eu diria que o que mais determina a solidão é o temperamento da pessoa. Se ela está bem consigo mesma, entende seu propósito de vida, que não precisa viver competindo com os outros, estará bem. Não que ela se baste, todos precisam relacionar-se com alguém, mas vive bem dentro de si”, descreve Cristina.

Alguém que optou por morar só, não escolheu o isolamento da sociedade. Ele precisa de uma forte rede de relacionamentos. Segundo a gerontóloga “ter uma vida social é importante para todo mundo. O ser humano não foi feito para viver sozinho, mas para viver em comunidade. Isso significa que ele precisa, sim, manter contato com os filhos e parentes, fazer cursos, trabalhar, namorar, estudar. Participar de grupos é uma excelente ideia. Há troca de ideias, de experiências, além da construção e fortalecimento de amizades. Os amigos são uma parte muito importante da vida de todos, inclusive de pessoas idosas. Durante a vida, as obrigações com trabalho e família acabam afastando as pessoas das amizades, mas é bom sempre lutar para conservá-las, independente do que aconteça no caminho”.

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