Origem da palavra Favela !


O TEXTO ABAIXO NÃO É TOTALMENTE FIEL, SE CONSIDERARMOS O LIVRO “OS SERTÕES” DE EUCLIDES DA CUNHA , O MAIS EXATO E PERFECCIONISTA CRONISTA QUE ACOMPANHOU PESSOALMENTE A CAMPANHA DE CANUDOS.

O ALTO DA FAVELA, BEM PERTO DE CANUDOS, FOI O LOCAL QUE OS SOLDADOS ACAMPARAM NA DERRADEIRA EXPEDIÇÃO. CANUDOS FICAVA BEM EMBAIXO ÀS MARGENS DO RIO VASA BARRÍS. VEJAMOS UM PEQUENO TRECHO DO LIVRO, QUANDO SE DESCREVE A CHEGADA DA QUARTA EXPEDIÇÃO, COMANDADA POR MOREIRA CESAR, O “CORTA CABEÇAS”:

“O SOL DARDEJAVA A PRUMO. TRANSPONDO OS ÚLTIMOS ACIDENTES FORTES DO TERRENO, OS BATALHÕES ABALARAM, DENTRO DE UMA NUVEM PESADA E CÁLIDA, DE POEIRA.
“DE SÚBITO, SURPREENDEU-OS A VISTA DE CANUDOS.
“ESTAVAM NO ALTO DA FAVELA”

PODERIA CITAR VÁRIOS TRECHOS DO LI VRO QUE FALAM SOBRE O ACAMPAMENTO DOS SOLDADOS NO “ALTO DA FAVELA”, MAS FICO POR AQUI.

FAVELA E SUA ORIGEM

Favela-com-o-Cristo-Redentor

Favela com o Cristo Redentor ao fundo

Você já parou para pensar qual o motivo de chamarmos os bairros pobres e sem infraestrutura de “FAVELAS”? Eu sempre achei que fosse um nome indígena ou qualquer coisa assim,mas a história é bem mais interessante que isto.

O origem do nome “FAVELA” remete a um fato marcante ocorrido no Brasil na passagem do século XIX para o século XX: a Guerra de Canudos.

Na Caatinga nordestina, é muito comum uma planta espinhenta e extremamente resistente chamada “FAVELA”

FAVELA ( Cnidoscolus phyllancatus)

Produz óleo comestível e combustível

Entre 1896 e 1897, liderados por Antônio Conselheiro, milhares de sertanejos cansados das dificuldades de sobrevivência num Nordeste tomado de latifúndios improdutivos e secas, criam a cidadela de Canudos, no interior da Bahia, revoltando-se contra a situação calamitosa em que viviam.

Mapa da Região de Canudos – Bahia

Em Canudos, muitos sertanejos se instalaram nos arredores do “MORRO DA FAVELA”, batizado em homenagem a esta planta.

Estátua de Antonio Conselheiro olha pela Nova Canudos.

A cidade original foi alagada para a construção de um Açude


Morro da Favela em dois momentos: Guerra de Canudos (acima) e atualmente (abaixo)

Com medo de que a revolta minasse as bases da República recém instaurada, e após duas tentativas de invasão rechaçadas pelos insurgentes, foi realizado um verdadeiro massacre em Canudos, com milhares de mortes, num dos episódios mais sangrentos da história militar brasileira, feito com maciço apoio popular.

Quando os soldados republicanos voltaram ao Rio de Janeiro, deixaram de receber seus soldos, e por falta de condições de vida mais digna, instalaram-se em casas de madeira sem nenhuma infraestrutura em morros da cidade (o primeiro local foi o atual “Morro da Providência”), ao qual passaram a chamar de “FAVELA”, relembrando as péssimas condições que encontraram em Canudos.

Morro da Providência em foto antiga. Onde tudo começou…

Morro da Providência atualmente

Este tipo de sub-moradia já era utilizado a alguns anos pelos escravos libertos, que sem condições financeiras de viver nas cidades, passaram também a habitar as encostas. O termo pegou e todos estes agrupamentos passaram a chamar-se FAVELAS.

Mas existem vários “MITOS” sobre as Favelas que precisam ser avaliados…

01 – Costumamos achar que as maiores Favelas do mundo encontram-se no Brasil, mas é um engano. Nenhuma comunidade brasileira aparece entre as 30 maiores do Mundo. México, Colômbia, Peru e Venezuela lideram o Ranking, em mais um triste recorde para a América Latina.


Vista aérea da Favela de NEZA, nas proximidades da Cidade do México

A Maior do Mundo, com mais de 2,5 milhões de Habitantes

02 – Outro engano comum é achar que as Favelas são um fenômeno “terceiro-mundista”, restrito a países subdesenvolvidos ou emergentes. Apesar de em quantidade bem menor, países desenvolvidos como Espanha também tem suas Favelas, chamadas por lá de “Chabolas”.

Chabolas madrileñas, as favelas espanholas

03 – E um terceiro mito é o de que as Favelas apenas aumentam, não importa o que o governo faça…A especulação imobiliária e planos governamentais já acabaram com algumas favelas, mesmo no Rio de Janeiro. O caso mais famoso é o da Favela da Catacumba, ao lado da Lagoa Rodrigo de Freitas, que foi extinta em 1970. A Favela do Pinto também é um outro exemplo…

Favela da Catacumba na Década de 60. Hoje, parque e prédios de luxo

Dizia-se que no local existiu um Cemitério Indígena.

ORIGEM DOS NOMES DE ALGUMAS FAVELAS DO RJ

http://www.favelatemmemoria.com.br/publique/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=36&sid=3

Vista do Morro da Babilônia com Corcovado ao fundo

Babilônia
A vegetação exuberante e a vista privilegiada de Copacabana levou os moradores a compararem o local com os “Jardins Suspensos da Babilônia”.

Rocinha

Rocinha
Nos anos 30, após a crise da Bolsa de 1929 que levou vários produtores de café à bancarrota, o terreno da Fazenda Quebra-Cangalha foi invadido e dividido em pequenas chácaras, que vendiam sua produção na Praça Santos Dumont, responsável pelo abastecimento de toda a Zona Sul da cidade. Quando os clientes perguntavam de onde vinham os legumes, diziam: “-É de uma tal Rocinha lá no Alto da Gávea”

Morro da Mangueira

Mangueira

Nos anos 40, na entrada da trilha de subida do Morro, que na época ainda era coberto pela mata, foi colocada uma placa que dizia: “Em breve neste local, Fábrica de Chápeus Mangueira”. A fábrica nunca foi construída, mas a placa permaneceu, batizando uma das mais emblemáticas comunidades cariocas.

Morro do Vidigal

Vidigal

Em homenagem ao dono original do terreno onde hoje se localiza a Favela, o Major Miguel Nunes Vidigal, figura muito influente durante o Império.

Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, por sua origem ou ainda por sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender e, se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar.
Nelson Mandela

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Conheça o lado espiritual das 7 Maravilhas do Mundo Moderno


Conheça o lado espiritual das 7 Maravilhas do Mundo Moderno

Cristo Redentor é uma das 7 maravilhas do mundo moderno

Você sabia que o Taj Majal, na Índia, foi uma homenagem de um marido apaixonado a sua mulher falecida? E que graças à doação de milhares de católicos, o Cristo Redentor foi construído? E que no Machu Picchu eram feitos sacrifícios humanos ao deus Sol? Que no Coliseu de Roma os cristãos eram atacados por leões esfomeados para o divertimento do povo?
Clique aqui e conheça a seguir história e espiritualidade contida nas sete maravilhas do mundo moderno. São elas: Muralha da China, Petra, Cristo Redentor, Machu Picchu, Chichén Itzá, Coliseu e Taj Mahal.

Monica Buonfiglio

A Importância da Leitura – João Scortecci


A Importância da Leitura / João Scortecci
Ler é importante.

Até os que não praticam o “ler é importante” reconhecem o seu valor como modelo eficiente na busca do conhecimento individual e também coletivo, essencialmente universal. Hoje existem diversas outras maneiras também eficazes para a obtenção do conhecimento, mas a leitura é ainda o melhor dos caminhos. O hábito, do qual tanto se fala como necessidade para o gosto pela leitura, lembra o de um corpo que aos poucos vai ganhando, com exercícios, o que chamamos de condicionamento físico.

Ler também é divertido. Ou não é? A leitura de um bom livro lembra paixão. Um bom livro não se larga, não se abandona, não se esquece. É assim que paixão vira amor. O início – como tudo na vida – não é fácil. É preciso vontade. Opções mais sedutoras acabam nos levando para o menos trabalhoso. O pecado da preguiça opera desculpas e faltas disso e daquilo, provocando em nós o aparecimento do que chamamos de silêncio cultural.

Silêncio cultural é a mesma coisa que falta de conteúdo. Corremos o risco de uma geração que só lê manchetes e links, que nem sempre, em sínteses, expressam o cerne da questão. Antes que eu esqueça, do que deve ser lembrado, é que o tal hábito da leitura passa pelo esforço das partes (mercado, profissionais do livro e governo) e de todos os agentes (professores, intelectuais e leitores).
Antes que eu esqueça, do que deve ser lembrado, é que o tal hábito da leitura passa pelo esforço das partes (mercado, profissionais do livro e governo) e de todos os agentes (professores, intelectuais e leitores). Não há educação quando a ignorância habita a família, a escola, o trabalho, os governos. Não há leitura sem o comprometimento do livro com suas mais diversas ferramentas. O livro precisa colocar-se aos olhos. Ele é mágico, oportuno e pluriapto. A inclusão cultural pela leitura deve, e precisa, passar pela coragem política do mundo real e virtual.

O livro pode até acabar, na forma como hoje o conhecemos, na plataforma papel, mas a leitura não. Exclusão tem cura quando não é doença. Adentrar em uma livraria não precisa ser um desafio incomum.

Outro dia – ainda na minha adolescência – quando descobri que “ler é importante” alguém desavisado me disse: Um país se faz com homens e livros. Foi Lobato quem me disse do papel para o meu profundo despertar. Naquela tarde incomum atendi ao seu chamado.

Depois escutei também os segredos de Alencar, Sabino, Clarice, Machado, Bandeira, Cecília, Drummond, Graciliano, Lygia, Cabral, Bilac, Rachel, Callado, Gullar e todos os outros Amados.

João Scortecci
jrspscortecci@scortecci.com.br

Você sabe o que é PHI ?


Phi ficou conhecido como A DIVINA PROPORÇÃO.

O pi e o phi
Todos nós já ouvimos falar em número PI. É o irracional mais famoso da história, com o qual se representa a razão constante entre o perímetro de qualquer circunferência e o seu diâmetro (equivale a 3,141592653589793238462643383279502884197169399375… e é conhecido “vulgarmente” como 3,1416).

Não confundir com o número Phi que corresponde a 1,618.
O número Phi (letra grega que se pronuncia “fi”) apesar de não ser tão conhecido, tem um significado muito mais interessante. Durante anos o homem procurou a beleza perfeita, a proporção ideal.
Os gregos criaram então o retângulo de ouro. Era um retângulo, do qual havia-se proporções: do lado maior dividido pelo lado menor e a partir dessa proporção tudo era construído. Assim eles fizeram o Parthenon… a proporção do retângulo que forma a face central e lateral. A profundidade dividida pelo comprimento ou altura, tudo seguia uma proporção ideal de 1,618.
Os Egípcios fizeram o mesmo com as pirâmides: cada pedra era 1,618 menor do que a pedra de baixo, a de baixo era 1,618 maior que a de cima, que era 1,618 maior que a da 3ª fileira e assim por diante.
Bom, durante milênios, a arquitetura clássica grega prevaleceu.
O retângulo de ouro era padrão, mas depois de muito tempo – veio a construção gótica com formas arredondadas que não utilizavam o retângulo de ouro grego.
Mas, em 1200, Leonardo Fibonacci um matemático que estudava o crescimento das populações de coelhos criou aquela que é provavelmente a mais famosa seqüência matemática, a Série Fibonacci.
A partir de 2 coelhos, Fibonacci foi contando como eles aumentavam a partir da reprodução de várias gerações e chegou a uma seqüência onde um número é igual a soma dos dois números anteriores: 1 1 2 3 5 8 13 21 34 55 89 …
1+1=2
2+1=3
3+2=5
5+3=8
8+5=13
13+8=21
21+13…e assim por diante.

Aí entra a 1ª “coincidência”: a proporção de crescimento média da série é… 1,618. Os números variam, um pouco acima às vezes, em outras um pouco abaixo, mas a média é 1,618 – exatamente a proporção das pirâmides do Egito e do retângulo de ouro dos gregos. Então, essa descoberta de Fibonacci abriu uma nova idéia de tal proporção a ponto de os cientistas começaram a estudar a natureza em termos matemáticos e começaram a descobrir coisas fantásticas.
– A proporção de abelhas fêmeas em comparação com abelhas machos numa colméia é de 1,618;
– A proporção que aumenta o tamanho das espirais de um caracol é de 1,618;
– A proporção em que aumenta o diâmetro das espirais sementes de um girassol é de 1,618;
– A proporção em que se diminuem as folhas de uma árvore a medida que subimos de altura é de 1,618

E não só na Terra se encontra tal proporção. Nas galáxias, as estrelas se distribuem em torno de um astro principal numa espiral obedecendo á proporção de 1,618.
Por isso, o número Phi ficou conhecido como A DIVINA PROPORÇÃO.
Por que os historiadores religiosos descrevem que foi a beleza perfeita que Deus teria escolhido para fazer o mundo?
Por volta de 1500, com o retorno do Renascentismo, a cultura clássica voltou á moda. Michelangelo e principalmente Leonardo Da Vinci, grandes amantes da cultura pagã, colocaram esta proporção natural em suas obras. Mas Da Vinci foi ainda mais longe: ele, como cientista, pegava cadáveres para medir a proporção do seu corpo e descobriu que nenhuma outra coisa obedece tanto a DIVINA PROPORÇÃO do que o corpo humano… obra prima de Deus.
Por exemplo:
– Meça sua altura e depois divida pela altura do seu umbigo até o chão; o resultado é 1,618.
– Meça seu braço inteiro e depois divida pelo tamanho do seu cotovelo até o dedo e o resultado é 1,618.
– Meça seus dedos, ele inteiro dividido pela dobra central até a ponta ou da dobra central até a ponta dividido pela segunda dobra. O resultado é 1,618;
– Meça sua perna inteira e divida pelo tamanho do seu joelho até o chão. O resultado é 1,618;
– A altura do seu crânio dividido pelo tamanho da sua mandíbula até o alto da cabeça. O resultado 1,618;
– Da sua cintura até a cabeça e depois só o tórax. O resultado é 1,618;

Considere sempre erros de medida da régua ou fita métrica, que não são objetos acurados de medição.

Tudo, cada osso do corpo humano é regido pela Divina Proporção. Coelhos, abelhas, caramujos, constelações, girassóis, árvores, arte e o homem; coisas teoricamente diferentes, todas ligadas numa proporção em comum.

Então até hoje essa é considerada a mais perfeita das proporções. Meça seu cartão de crédito, largura / altura, seu livro, seu jornal, uma foto revelada.
(Lembre-se: considere sempre erros de medida da régua ou fita métrica).

Encontramos ainda o número Phi em famosas sinfonias como a 9ª de Beethoven e em outras diversas obras.

Então… isso tudo seria uma mera coincidência?

FONTE

Festival de Gramado 2011


Festival de Gramado 2011

O Festival de Gramado 2011 começou na noite de sexta-feira (5) e promete homenagear muito bem os grandes nomes do cinema nacional. Logo no primeiro dia, Selton Mello, diretor de “O Palhaço”, subiu ao palco para receber uma homenagem e discursou para os presentes.

Figuras como Carol Castro, Ildi Silva, Larrisa Maciel, Marcelo Serrado, Caio Junqueira e muitos outros foram curtir o frio do sul do país com muito cinema e vinho. Tem coisa melhor?

Nas fotos abaixo você confere quem passou pelo tapete vermelho no primeiro dia do festival e ainda tudo que rolou durante os dias do evento…
VEJA AS FOTOS EM SLIDESHOW

ELDER CARVALHO – Pintor Bahiano – Nova produção


ELDER CARVALHO (Salvador – BA / 1956)

O crítico César Romero escreveu, recentemente, que o pintor baiano, mais maduro, retira os excessos para apresentar menos interferências e mais cores, com o uso discreto do pó de serra mesclado ao pigmento de gaze industrial, aumentando a sua responsabilidade como pintor.

Na sua etapa atual surgem janelas, partes de casario, enfim, fica algo de um figurativismo remoto, ainda aceso. Formado pela Escola de Belas Artes da Bahia, obteve Elder o 1o Prêmio da 2a Feira de Arte da Galeria O Cavalete em 1978, ano em que também participou do Salão FUNASA e do Pelourinho.

No ano seguinte, a presença na mostra Seres, do Instituto Cultural Brasil-Alemanha. Depois de mostras importantes como a Exposição de Arte do III Congresso de Artes Plásticas e Desenho do Centro de Convenções da Bahia em 1982, recebeu novo prêmio, em 1984, no Salão Universitário da Bahia, desta vez em desenho.

Consagrado em todos os sentidos, tomou parte na coletiva do Museu do Cacau em 1985 para um ano depois receber a Menção Honrosa do 1o Salão Metanor/Copenor de Artes Visuais da Bahia.

Já o ano de 1991 se revelou de atividade intensa com as coletivas das galerias Época e NR. Participou ainda do Salão Bahia Summer e expôs individualmente em Lustres e Projetos. Quatro anos depois Elder foi o segundo colocado na Bienal Indígena Afro Cultural.

Daí em diante foram participações em coletivas da Universidade Federal da Bahia, na Casa de Benin, na 3a Bienal do Recôncavo Baiano no 2o Salão do Museu de Arte Moderna da Bahia e outras mostras. O sucesso de público e de crítica se evidenciou nas individuais da NR Galeria de Arte e da Galeria Roberto Alban.
ARTE CONCRETA
(71) 9226-0209

POR DENTRO DO CÉREBRO – Entrevista com Paulo Niemeyer Filho


POR DENTRO DO CÉREBRO – Entrevista com Paulo Niemeyer Filho, neurocirurgião melhor do Brasil. 

POR DENTRO DO
CÉREBRO

O neurocirurgião Paulo Niemeyer Filho
conta os avanços nos tratamentos de doenças como o mal de Parkinson e como
evitar aneurisma e perda de memória.
E projeta, ainda, o futuro próximo, quando
boa parte do sistema neurológico estará sob controle do homem.
Chegar à casa do
neurocirurgião Paulo Niemeyer Filho, no alto da Gávea, no Rio de Janeiro, é uma
emoção. A começar pela vista deslumbrante da cidade, passando pelos macacos que
passeiam pelos galhos até avistar as orquídeas que caem em pencas das árvores,
colorindo todo o jardim.

Ou seja: a competência
desse médico, com 33 anos de profissão, que dedica sua vida à medicina com a
paixão de um garoto, pode ser contada em flores. E são
muitas.

Filho do lendário neurocirurgião Paulo
Niemeyer, pioneiro da
microneurocirurgia no Brasil, e sobrinho
do arquiteto Oscar Niemeyer, Paulo escolheu a medicina ainda
adolescente.
Aos 17 anos, entrou na Universidade
Federal do Rio de Janeiro.
Quinze dias depois de formado,
com 23 anos, mudou-se para a
Inglaterra, onde foi
estudar neurologia na Universidade de Londres.

De volta ao Brasil, fez
doutorado
na Escola Paulista de Medicina. Ao todo, sua
formação levou 20 anos de empenho absoluto.

Mas a recompensa foi à altura. Apaixonado por seu ofício, Paulo chefia hoje os serviços de neurocirurgia da Santa
Casa do Rio de Janeiro e da Clínica São Vicente, onde atende e opera de segunda a sábado, quando não há uma emergência no domingo, e ainda encontra tempo para dar aulas no curso de pós-graduação em neurocirurgia na PUC-Rio.

Por suas mãos já passaram o músico Herbert Vianna – de quem cuidou em 2001, depois do acidente de ultraleve em Mangaratiba,
litoral do Rio -, o ator e diretor Paulo José, a atriz Malu Mader e, mais recentemente, o diretor de televisão Estevão Ciavatta – marido da atriz Regina Casé que, depois de um tombo do cavalo, recupera-se plenamente -, além de centenas de outros pacientes, muitos deles representados pelas belas flores que enchem de vida o seu jardim.

Revista PODER: Seu pai também era neurocirurgião. Ele o influenciou?

PAULO NIEMEYER: Certamente. Acho que queria ser igual a ele, que era o meu ídolo.

PODER: Seu pai trabalhou até os 90 anos. A idade não é um complicador para um neurocirurgião? Ela não tira a destreza das
mãos, numa área em que isso é crucial?

PN: A neurocirurgia é muito mais estratégia do que habilidade manual. Cada caso tem um planejamento específico e isso já é a
metade do resultado. Você tem de ser um estrategista..

PODER: O que é essa inovação tecnológica que as pessoas estão chamando de marcapasso do cérebro?

PN: Tem uma área nova na neurocirurgia chamada neuromodulação, o que popularmente se chama de
marcapasso, mas que nós chamamos de estimulação cerebral profunda. O estimulador fica embaixo da pele e
são colocados eletrodos no cérebro, para estimular ou inibir o funcionamento de alguma área. Isso começou a ser utilizado para os pacientes de Parkinson. Quando a pessoa tem um tremor que não controla, você bota um eletrodo no ponto que o está provocando, inibe essa área e o tremor pára. Esse procedimento está sendo ampliado para outras doenças. Daqui a um ou dois anos, distúrbios alimentares como obesidade mórbida e
anorexia nervosa vão ser tratados com um estimulador cerebral, porque não são doenças do estômago, e sim da cabeça.

PODER: O que se conhece do cérebro humano?

PN: Hoje você tem os exames de ressonância magnética, em que consegue ver a ativação das áreas cerebrais, e cada vez mais o
cérebro vem sendo desvendado.

Ainda há muito o que descobrir, mas com essas técnicas de estimulação você vai entendendo cada vez mais o funcionamento
dessas áreas. O que ainda é um mistério é o psiquismo, que é muito mais complexo. Por que um clone jamais será igual ao original?

Geneticamente será a mesma coisa, mas o comportamento depende muito da influência do meio e de outras causas que a gente
nunca vai desvendar totalmente.

PODER: Existe uma discussão entre psicanalistas e psiquiatras, na qual os primeiros apostam na melhora por meio da investigação da subjetividade, e os últimos acreditam que boa parte dos problemas psíquicos se resolve com remédios.. Qual é sua opinião?

PN: Há casos de depressão que são causados por tumores cerebrais: você opera e o doente fica bem. Há casos de depressão que são causados por deficiência química: você repõe a química que está faltando e a
pessoa fica bem. Numa época em que se fazia psicocirurgia existiam doentes que ficavam trancados num quarto escuro e quando faziam a cirurgia se livravam da depressão e nunca mais tomavam remédio. E há os casos que são puramente psíquicos,emocionais, que não têm nenhuma indicação de tomar remédio.

PODER: Já existe alguma evolução na neurologia por causa das células-tronco?

PN: Muito pouco. O que acontece com as células-tronco é que você não sabe ainda como controlar. Por exemplo: o paciente
tem um déficit motor, uma paralisia, então você injeta lá uma célula-tronco, mas não consegue ter certeza de que ela vai se transformar numa célula que faz o movimento. Ela pode se transformar em outra coisa, você não tem o controle, ainda.

PODER: Existe alguma coisa que se possa fazer para o cérebro funcionar melhor?

PN: Você tem de tratar do espírito. Precisa estar feliz, de bem com a vida, fazer exercício. Se está deprimido, com a autoestima baixa, a primeira coisa que acontece é a memória ir embora; 90% das queixas de falta de memória são por depressão, desencanto, desestímulo. Para o cérebro funcionar melhor, você tem de ter motivação. Acordar de manhã e ter desejo de fazer alguma coisa, ter prazer no que está fazendo e ter a autoestima no ponto.

PODER: Cabeça tem a ver com alma?

PN: Eu acho que a alma está na cabeça. Quando um doente está com morte cerebral, você tem a impressão de que ele já está sem alma… Isso não dá para explicar, o coração está batendo, mas ele não está mais vivo.

PODER: O que se pode fazer para se prevenir de doenças neurológicas?

PN: Todo adulto deve incluir no check-up uma investigação cerebral. Vou dar um exemplo: os aneurismas cerebrais têm uma mortalidade de 50% quando rompem, não importa o tratamento. Dos 50% que não morrem, 30% vão ter uma sequela grave: ficar sem falar ou ter uma paralisia. Só 20% ficam bem. Agora, se você encontra o aneurisma num checkup, antes dele sangrar, tem o risco do tratamento, que é de 2%, 3%. É uma doença muito grave, que pode ser prevenida com um check-up.

PODER: Você acha que a vida moderna atrapalha?

PN: Não, eu acho a vida moderna uma maravilha. A vida na Idade Média era um horror. As pessoas morriam de doenças que hoje são banais de ser tratadas. O sofrimento era muito maior. As pessoas morriam em casa
com dor. Hoje existem remédios fortíssimos, ninguém mais tem dor.

PODER: Existe algum inimigo do bom funcionamento do cérebro?

PN: O exagero. Na bebida, nas drogas, na comida. O cérebro tem de ser bem tratado como o corpo. Uma coisa
depende da outra. É muito difícil um cérebro muito bem num corpo muito maltratado, e vice-versa.

PODER: Qual a evolução que você imagina para a neurocirurgia

PN: Até agora a gente trata das deformidades que a doença causa, mas acho que vamos entrar numa fase de reparação do
funcionamento cerebral, cirurgia genética, que serão cirurgias com introdução de cateter, colocação de partículas de nanotecnologia, em que você vai entrar na célula, com partículas que carregam dentro delas um remédio que vai matar aquela
célula doente. Daqui a 50 anos ninguém mais vai precisar abrir a cabeça.

PODER: Você acha que nós somos a última geração que vai envelhecer?

PN: Acho que vamos morrer igual, mas vamos envelhecer menos. As pessoas irão bem até morrer. É isso que a gente espera. Ninguém quer a decadência da velhice. Se você puder ir bem de saúde, de aspecto, até o dia da morte, será uma maravilha, não é?

PODER: Você não vê contraindicações na manipulação dos processos naturais da vida?

PN: O que é perigoso nesse progresso todo é que, assim como vai criar novas soluções, ele também trará novos problemas. Com
a genética, por exemplo, você vai fazer um exame de sangue e o resultado vai dizer que você tem 70% de chance de ter um câncer de mama. Mas 70% não querem dizer que você vai ter, até porque aquilo é uma tendência. Desenvolver depende do meio em que você vive, se fuma, de muitos outros fatores que interferem.
Isso vai criar um certo pânico. E, além do mais, pode criar problemas, como a companhia de seguros exigir um exame genético para saber as suas tendências. Nós vamos ter problemas daqui para frente que serão éticos, morais, comportamentais, relacionados a esse conhecimento que vem por aí, e eu acho que vai ser um período muito rico de debates..

PODER: Você acredita que na hora em que as pessoas puderem decidir geneticamente a sua hereditariedade e todo mundo tiver
filhos fortes e lindos, os valores da sociedade vão se inverter e, em vez do belo, as qualidades serão se a pessoa é inteligente, se é culta, o que pensa?

PN: Mas aí você vai poder escolher isso também. Esse vai ser o problema: todo mundo vai ser inteligente.
Isso vai tirar um pouco do romantismo
e da graça da vida. Pelo menos diante do que a gente está acostumado. Acho que a vida vai ficar um pouco dura demais, sob certos aspectos. Mas, por outro lado, vai trazer curas e conforto.

PODER: Hoje a gente lida com o tempo de uma forma completamente diferente. Você acha que isso muda o funcionamento cerebral das pessoas?

PN: O cérebro vai se adaptando aos estímulos que recebe, e às necessidades. Você vê pais reclamando que os filhos não saem da
internet, mas eles têm de fazer isso porque o cérebro hoje vai funcionar nessa rapidez. Ele tem de entrar nesse clique, porque senão vai ficar para trás. Isso faz parte do mundo em que a gente vive e o cérebro vai correndo atrás, se adaptando.

PODER: Já aconteceu de você recomendar um procedimento e a pessoa não querer fazer?

PN: A gente recomenda, mas nunca pode forçar. Uma coisa é a ciência, e outra é a medicina. A pessoa, para se sentir viva, tem de ter um mínimo de qualidade. Estar vivo não é só estar respirando. A vida é um conjunto. Há doentes que preferem abreviar a vida em função de ter uma qualidade melhor. De que adianta ficar ali, só para dizer que está vivo, se o sujeito perde todas as suas referências, suas riquezas emocionais, psíquicas. É muito
difícil, a gente tem de respeitar muito.

PODER: Como é o seu dia a dia?

PN: Eu opero de segunda a sábado de manhã, e de tarde atendo no consultório. Na Santa Casa, que é o meu
xodó, nós temos 50 leitos, só para pessoas pobres. Eu opero lá duas vezes por semana. E, nos outros dias, na Clínica São Vicente. O que a gente mais opera são os aneurismas cerebrais e os tumores. Então, é adrenalina todo dia. Sem ela a gente desanima e o cérebro funciona mal. (risos)

PODER: Você é workaholic?

PN: Não é que eu trabalhe muito, a minha vida é aquilo. Quando viajo, fico entediado. Depois de alguns dias, quero voltar. Você perde a sua referência, está acostumado com aquela pressão, aquele elástico esticado.

PODER: Como você lida com a impotência quando não consegue salvar um paciente?

PN: É evidente que depois de alguns anos, a gente aprende a se defender. Mas perder um doente faz mal a um cirurgião. Se acontece, eu paro com o grupo para discutir o que se passou, o que poderia ter sido melhor, onde foi a dificuldade.
Não é uma coisa pela qual a gente passe batido. Se o cirurgião acha banal perder um paciente é porque alguma coisa não está bem com ele mesmo.

PODER: Como você lida com as famílias dos seus pacientes?

PN: Essa relação é muito importante. As famílias vão dar tranquilidade e confiança para fazer o que deve ser feito. Não basta o doente confiar no médico. O médico também tem de confiar no doente. E na família. Se é uma família que cria caso, que é brigada entre si, dividida, o cirurgião já não tem a mesma segurança de fazer o que deve ser feito. Muitas vezes o doente não tem como opinar, está anestesiado e no meio de uma cirurgia você encontra uma situação inesperada e tem de decidir por ele.
Se tem certeza de que ele está fechado com você, a decisão é fácil. Mas se o doente é uma pessoa em quem você não confia, você fica inseguro de tomar certas decisões. É uma relação bilateral, como num casamento. Um doente que você opera é uma relação para o resto da vida.

Poder: Você acredita em Deus?

PN: Geralmente depois de dez horas de cirurgia, aquele estresse, aquela adrenalina toda, quando você acaba de operar, vai até a família e diz: “Ele está salvo”. Aí, a família olha pra você e diz: “Graças a Deus!”. Então, a gente acredita que não fomos apenas nós.

PODER: Como você relaxa?

PN: Estudando. A coisa que mais gosto de fazer é ler. Sábado e domingo, depois do almoço, gosto de sentar e
ler, ficar sozinho em silêncio absoluto.

PODER: E o que gosta de ler?

PN: Sobre medicina ou história. Agora estou lendo um livro antigo, chamado Bandeirantes e Pioneiros, do Vianna Moog, no qual ele compara a colonização dos Estados Unidos com a do Brasil. E discute por que os Estados Unidos, com 100  anos a menos que o Brasil, tiveram um enriquecimento e um progresso tão rápidos.
Por que um país se desenvolveu em progressão geométrica e o outro em progressão aritmética.