O drama e a arte -Psicodrama, método baseado na ação, ajuda a superar dificuldades emocionais


O drama e a arte
Psicodrama, método baseado na ação, ajuda a superar dificuldades emocionais

Da Redação da Revista Mais de 50

Você brigou com aquele amigo, não aguenta mais o seu trabalho ou simplesmente está com dificuldades de encarar o fato de que está envelhecendo. Mas o divã do terapeuta não é mais o único lugar onde seus problemas podem ser resolvidos. O Psicodrama é um método psicoterápico baseado na interpretação e prova ser bastante eficaz. Nas palavras do seu criador, Jacob Levy Moreno, o Psicodrama abre as portas da Psiquiatria à alegria.

Imagina se, ao invés de ficar deitado no divã remoendo suas questões, você pudesse simplesmente agir sobre eles? Isso é o Psicodrama. De acordo com Elisabeth Sene-Costa, psiquiatra, psicodramatista, mestre em Psiquiatria e autora do livro “Gerontodrama: a velhice em cena”, “Psicodrama é um método psicoterápico e socioeducacional que proporciona ao indivíduo a possibilidade de se descobrir através das técnicas psicodramáticas como pessoa, ampliar seus vínculos e desenvolver capacidade espontânea e criativa”.

Para entender melhor o Psicodrama é bom saber um pouquinho mais sobre a sua história. Afinal, de onde veio a ideia de usar teatro pra tratar questões psicológicas? “O Psicodrama foi criado por um médico judeu, Jacob Levy Moreno, que usava jogos lúdicos para brincar com crianças nos jardins de Viena, na Áustria. As crianças usavam fantasias e criavam personagens na hora. Assim, Moreno percebeu que o teatro poderia ser uma forma interessante de desenvolver a espontaneidade e dali pro Psicodrama foi um pulo. Uma das bases da teoria Moreniana é a espontaneidade e a criatividade”, conta Elisabeth.

Por mais incomum que possa parecer, o Psicodrama usa, sim, o teatro para tratar as questões psicológicas dos indivíduos. “O Psicodrama usa a técnica de ação. O paciente não fica parado, sentado na cadeira, falando dos seus problemas. Vai para uma ação em sessões individuais ou em grupo. Partimos do contexto social para o contexto dramático, em que tudo o que for vivenciado é atuado ali. É o que se chama de “como se [fosse]”. Através dessas dramatizações, o paciente tem insights dramáticos sobre as situações que vivenciou, sua ficha cai. Ele assume o papel de outras pessoas da sua vida. Aí, rapidamente, ele pensa na própria situação. Facilita bastante na hora de lidar com os conflitos. Muitas emoções brotam naquele momento, que ele vai discutir com o terapeuta”, narra a psiquiatra.

As sessões de Psicodrama podem ser individuais ou em grupo. “O paciente pode atuar sozinho, interpretando papéis de pessoas da sua vida e usando almofadas como personagens secundários. Nas sessões em grupo, os outros membros atuam como plateia e auxiliares, fora o sharing, em que cada um compartilha experiências próprias relacionadas ao assunto. De qualquer maneira, ninguém chega numa sessão de Psicodrama já atuando. Conversa-se muito, não dramatiza-se em toda sessão. Algumas pessoas têm medo de sentirem-se ridículas atuando mas, cá entre nós, somos ridículos quando caímos na rua, falamos alguma besteira, em vários momentos da vida”, brinca Elisabeth.

Não são só alguns problemas do dia-a-dia ou dificuldades emocionais que podem ser tratados com as técnicas do Psicodrama. Segundo a terapeuta, “o método trabalha os mais diversos conflitos, dos sociais e de relacionamento até os psicossomáticos, passando por depressão, bipolaridade, ansiedade, conflitos familiares, doenças, medo da morte, mudança de profissão, fobias, transtorno obsessivo compulsivo (TOC). Como médica, posso passar medicamentos em alguns casos, mas o trabalho psicoterápico é fundamental”.

Embora o passado seja relevante para determinar que tipo de pessoa se é hoje, o Psicodrama está ainda mais preocupado com o “aqui e agora”. Elisabeth explica que “a questão do passado é importante, mas como ele pode influenciar no ‘aqui e agora’. Esse método quer que o indivíduo se transforme, pra isso são usadas as técnicas psicodramáticas. Isso, no entanto, não quer dizer que seja o ‘melhor’ método de todos, nem o mais recomendado. O mais importante é que haja um vínculo com a terapia (qualquer método), o terapeuta e o paciente. Tem que ter um ‘clique'”.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s