Expresse o que sente – Para quem está acostumado a engolir sapos, ioga ajuda, aconselha professor


Expresse o que sente
Para quem está acostumado a engolir sapos, ioga ajuda, aconselha professor

Por Alexandre Perlingeiro*

Ao longo das nossas vidas temos que engolir muitos sapos. Quem já não passou por essa experiência ao menos uma vez? Pode ter sido um sapinho bem pequenino, um girino, ou até um daqueles enormes, um sapo-boi, daqueles que vivem em brejos e coaxam a noite toda sem deixar a gente dormir. Todos nós, com certeza, pelo menos uma vez na vida já engolimos um sapo. Viver em sociedade implica em engolir sapos. O chefe no trabalho, parentes em casa, um inimigo, infinitas são as situações onde nos vemos obrigados a engolir um sapo.

E sapos não são alimentos saudáveis! Qualquer médico ou nutricionista vai confirmar isto. Aquele sapo que foi engolido permanece dentro da gente vivo e coaxante. Ficamos remoendo o sapo tentando digeri-lo sem sucesso. O sapo nos incomoda, nos gera raiva que nos gera, se ficar contida, apatia e até depressão. O sapo quer sair e a força que fazemos para mantê-lo dentro da gente acaba por nos deixar exauridos, sem disposição para mais nada. Os sapos tiram o nosso tesão pela vida. Mais ainda, todo sapo preso cospe veneno. Morremos um pouco a cada dia com os sapos presos em nós.

Mesmo quando nos esquecemos da situação – e do sapo -, ainda assim ele continua lá. Pior ainda, porque, aos nos esquecermos dele, o perdemos de vista. Ele passa a fazer os estragos dentro da gente sem sabermos onde ele está. Apenas percebermos os estragos, mas não vemos mais os sapos. Os sapos viraram fantasmas. É assim que as pessoas têm úlceras, gastrites, infartos, síndrome do pânico… a lista é imensa. E quer saber? Não são os sapos os responsáveis. Muito menos o chefe chato ou o parente mala. Somos nós. Somos nós os responsáveis porque decidimos engolir o sapo e depois por mantê-lo preso dentro da gente.

Mesmo aquelas pessoas que não levam desaforos para casa, elas que pensam que não engolem sapos, se enganam. São o outro lado da mesma moeda. Elas pensam que, sendo desaforadas, conseguem manter os sapos afastados, mas isso é um engano. O sapo já entrou e elas não se dão conta disso. Conheço muitos assim. Tipo italiano, explosivo… a maioria morre do coração ou tem úlcera. Por que será?

O que fazer com os sapos? Muito simples. Não engolir e, se engolir, botar pra fora. Em outras palavras, espontaneidade. Só que temos medo de ser espontâneos. Vamos ofender os outros. Vamos falar o que (pensamos que) não deve ser falado, o que vai magoar, etc. Mas não tem solução. Só espontaneidade cura os males causados por sapos. Tudo o resto é paliativo. Remédio para úlcera, safena e qualquer outra descoberta milagrosa da medicina não passa de paliativo, trata da conseqüência, do sintoma.

Homeopatia e acupuntura são muito boas, porque tratam a causa. Yoga, então, nem se fala! Yoga é um santo remédio contra sapos na alma (tratamento corretivo) e, preventivamente, nos ajuda a evitar que venhamos a engoli-los.

Yoga faz milagres com os males dos sapos!

Corretivamente o yoga desbloqueia os pontos de energia onde o sapo se escondia. Isso mesmo. Sapo se esconde nos bloqueios de energia, os pontos onde a energia fica estagnada, a musculatura contraída e a emoção retida. É exatamente ali que o sapo fica. Onde o sapo se esconde a energia não passa. Então o yoga faz a energia voltar a circular e com isso o sapo é expulso (junto com a emoção mal-resolvida). No corpo físico o processo é principalmente muscular. Reich recentemente descobriu o que já era feito há 5.000 anos. Yoga bota pra fora todos os sapos. É um processo meio doloroso nesse sentido, mas muito saudável.

Preventivamente, o yoga nos torna responsáveis pelos nossos atos. Somos senhores das nossas decisões. Somos os únicos responsáveis pelo que pensamos, sentimos e fazemos. O yoga não vai nos impedir de engolir sapos. O que ele vai fazer realmente é não tornar o ato automático ou inconsciente. Só vou engolir sapos se quiser. É através da mudança na maneira de ver a vida que o yoga nos fortalece e imuniza contra os sapos. O processo é, neste caso, principalmente glandular e hormonal.

Se meu chefe (ou um parente) tem gênio difícil, posso tentar compreender suas motivações – o que não significa concordar. Tenho até o dever de discordar, se há esse espaço para divergências na firma. Caso contrário posso simplesmente calar e cumprir a ordem (manda quem pode, obedece quem tem juízo). Posso também, se o ato me violenta, pedir transferência de setor ou até mesmo demissão. Ninguém é obrigado a aturar desmandos insanos ou anti-éticos.

Enfim, as saídas são muitas. Devo decidir – e arcar com o ônus dessa escolha. Que, como tal, sempre vai gerar ganhos e perdas. Isso é maturidade, decidir e assumir as conseqüências da decisão.

Resumindo, Dakshina Tantra adverte: engolir sapos faz mal à saúde. Pratique yoga. Caso os sintomas persistam, procure seu professor (um psicólogo ajuda bastante, também, e o médico é fundamental).

*Alexandre Perlingeiro é mestre em Dakshina Tantra Yoga

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s