Deu branco – Ansiedade provoca esquecimento e o famoso branco seria uma proteção contra ameaças subjetivas, diz psicólogo


Deu branco – Ansiedade provoca esquecimento e o famoso branco seria uma proteção contra ameaças subjetiva

Por Marco Antônio Tommaso*

A queixa é comum. Estudantes, atores, professores, profissionais de uma forma geral reclamam de uma falha de memória em algumas situações cruciais de suas vidas. O famoso branco , que pode ocorrer numa palestra, prova oral, no meio de uma apresentação teatral, na gravação de um comercial, num exame vestibular, atrapalhando ou até inviabilizando momentos de vida da pessoa.

O bloqueio da fala e do pensamento, como é conhecida esta reação, é uma resposta de ansiedade. Na evolução da espécie, respostas de luta ou fuga tinham a função de proteger o homem primitivo de seus predadores e eram consideradas positivas. O bloqueio de fala e pensamento poupava o nosso ancestral do ataque direto ao predador ou da fuga imprudente e mal calculada. Simplesmente congelava e, imóvel, aguardava o perigo passar, quando lutar ou fugir eram impossíveis.

Um estudante que, mesmo bem preparado, tenha um branco num vestibular pode deixar de entrar na faculdade e carregar consigo toda uma expectativa muito ruim para situações futuras, muitas vezes provocando o que mais temia: outro branco!

Na vida atual não há mais essa necessidade. O branco surge como proteção para o indivíduo em relação a uma ameaça subjetivamente percebida e provavelmente mal avaliada. Acaba disparando o mecanismo de ansiedade, inclusive com ativação fisiológica, gerando medo e prejudicando o desempenho futuro da pessoa.

Pessoas que tenham este tipo de problema são vulneráveis também a outros problemas de ansiedade e insegurança. O branco ocasional deve ser encarado com tranqüilidade desde que a pessoa consiga refazer-se da situação e, principalmente, que não venha a gerar medo da repetição em ocasiões futuras. É importante que um aluno, ator, orador ou palestrante relaxe-se dentro da situação de ansiedade.

Cuidados psicológicos são recomendados toda vez que um fator qualquer trouxer prejuízo pessoal, profissional, afetivo, social, acadêmico etc. A Psicoterapia Comportamental e Cognitiva redimensiona o grau de ameaça real de uma situação seja ela real ou imaginária, dando à pessoa condições de avaliar devidamente os primeiros sinais de ansiedade e lidar com ela devidamente. Aumenta o sentido de eficácia, isto é, a capacidade de resolução de problemas na medida em que apareçam, permitindo que o potencial anteriormente treinado seja colocado em prática da melhor maneira possível, no momento oportuno.

Um estudante que esquece a matéria mas consegue recuperar-se e tocar em frente sem sustos, um ator que se refaz diante da platéia, um palestrante que se recupera após um lapso, não constituem problema. Porém, não é o que ocorre com a maioria das pessoas que, diante de um lapso, fazem estimativas catastróficas de fracasso que, realimentando a ansiedade, vem a se constituir em profecias que se auto realizam.

*Marco Antônio Tommaso é psicólogo formado pela USP, especializado em Adolescentes e Adultos, membro da Associação Brasileira para Estudo da Obesidade e especializado em Psicologia Clínica Geral, transtornos de Ansiedade e de Personalidade.

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